domingo, 27 de outubro de 2019

Slipstream: Análise

Um jogo já nascido clássico

Comprei ele no GOG: https://www.gog.com/game/slipstream
Página oficial: https://slipstre.am/

Apesar do estilo retrô, esse aqui é, junto com Horizon Chase, um dos games de corrida atuais mais divertidos que já joguei (e sim: estou pondo GRID e NFS: Most Wanted no mesmo balaio). É um desses que já nascem clássicos. Foi puta inspirado em Outrun (de Mega Drive), mas não dá a sensação de que a gente está jogando Outrun, ou que é uma sequência direta. Parece mais com um game feito nos anos 90 para Sega CD que eu deixei passar em todos esses anos - ou então que é um desses clássicos que a EA fez para Mega Drive.


Tanto a jogabilidade quanto as escolhas estéticas me parecem reminiscências dos jogos feitos pela Sega, ou ao menos feitos para os consoles da Sega. Pude sentir elementos pegos emprestados de Road Rash (tanto os de Mega Drive quanto o de de 3DO), Crazy Taxi e California e uns duzentos outros. Por um lado eu acho que o drift deveria ter me lembrado Need for Speed: Underground ou qualquer outro jogo, mas não: na verdade isso me lembrou muito Speed Racer (tanto o filme d@s Wachoswski, quanto o jogo de Play Station 2), algumas pistas a gente só vai correndo de lado e acelerando. É como se a física dos filmes hollywoodianos estivesse certa. E como eu gosto bastante tanto do filme Speed Racer, quanto do game, eu curti bastante ter me lembrado deles enquanto jogava.


Também há outro detalhe, muito saudosista e nada técnico: por algum motivo esse game me lembrou o saudoso Enduro (de Atari). Talvez a estética vapourwave, talvez o fato da gente correr do início do dia até o raiar do próximo sol, talvez os som repetitivo do motor do carro e das derrapagens. Não sei. Pura nostalgia e pronto.



PROS:
  • Dificuldade. Não vou mentir: na primeira vez que a gente joga, o game é difícil pra caramba, mas quando a gente vai se acostumando com a jogabilidade fica muito mais fácil e a única coisa que vai ficar entre você e a vitória é decorar o desenho das pistas. Portanto, apesar de difícil, não é injusto.
  • Duração. É bom lembrar que é um game independente feito por um cara só. É quase um milagre! Não dá pra esperar horas e mais horas de jogatina. No entanto, apesar das poucas pistas, há vários modos de jogos que vão te manter jogando por muitas horas. Se você quiser completar o game, desde o momento em que você pega pela primeira vez o controle até se acostumar com a jogabilidade e platinar, lá se foram umas 10 horas facinho.
  • Trilha sonora. É simplesmente maravilhosa. Parece que juntaram Daft Punk, Felix da Housecat e Freezepop num estúdio e mandaram bala. Se você curte música eletrônica e synthpop você vai amar. Infelizmente não dá pra comprar a trilha nem no GOG, nem no Steam, mas se você tiver um cartão internacional pode comprar direto no Bandcamp do compositor: (https://effoharkay.bandcamp.com/album/slipstream-original-soundtrack). Também dá pra achar o álbum no Spotify (https://open.spotify.com/album/5zLJ0D7spbWzfK5lRByDwv).
  • Filtros de vídeo. Slipstream foi feito pra ser jogado numa TV de tubo. Sem uma não dá pra aproveitar muito do sentimento que o game oferece. Mas não se preocupe: o jogo oferece filtros de vídeo que simulam CRT e NTSC. Então se você é um desses maníacos que não suportam a cachoeira do Sonic em HDMI, tá tranqüilo.
  • Conquistas Offline. Não tem mais o que dizer. Não precisa ficar online, nem depende de clientes (como o próprio Steam ou o GOG Galaxy) para completá-las
  • Parece que tem uma história escondida. Posso tar exagerando, mas ao jogar, o game dá a sensação que tem uma história para cada um dos personagens. A cada fala a gente percebe não apenas as suas personalidades, mas também que tem uma história embutida ali. O cara que veio do futuro, a vampira, a prisioneira (nada disso é spoiler, apenas interpretação. Talvez você jogue e interprete de forma bem diferente.

CONTRAS:

  • Bug no multiplayer. Até o momento em que eu escrevi isso aqui, o modo multiplayer está meio bugado. É preciso desabilitar os filtros de vídeo e mudar a resolução da tela até encontrar uma que deixe o modo multiplayer jogável.
  • Falta um leaderboard offline. Tem uma lista de campeões no Steam. Não tem no GOG Galaxy. Até entendo que tenha havido problemas para implementá-lo no Galaxy, então nem reclamo tanto disso. Só que, visto que o jogo tem Conquistas offline, acho que poderia muito bem ter  uma lista de campeões offline, do mesmo jeito que os jogos que inspiraram o Slipstream tinham.
  • Apenas em inglês. Entendo que para realmente conseguir vender um jogo é preciso mirar no mercado estrangeiro e lançar o game em inglês. No entanto eu sempre acho um pouco triste me deparar com um jogo produzido no Brasil que não esteja em língua nativa. Nada que afete realmente a jogatina, mas triste.

VEREDITO:


Não acho que tem muito mais a dizer


O Slipstream é saudosismo na veia. É aquele sujeito que cresceu com um controle de Mega Drive na mão, sonhou em um dia fazer um daqueles jogos e agora o fez. Ainda assim ele trás esse sentimento de algo que eu nunca joguei antes (o que dá pra fazer uma relação com o Horizon Chase, que dá o sentimento de que eu passei a vida jogando aquele jogo) e eu fiquei ainda mais contente quando descobri que o Ansdor (Sandro) mora na mesma cidade que eu!


O jogador PookaMustard, do GOG, disse algo muito melhor do que qualquer coisa que eu possa criar: Slipstream é uma "Love letter to racing games of old" ("Carta de amor aos jogos dos velhos" em tradução literal).

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